Se eu pudesse te falar sobre qualquer coisa que aprendi no meio de tantas histórias tortas no meio desses caminhos, seria que, por mais que tentem nos dizer o contrário, estar entediada com a vida é uma coisa boa: significa que você não se conformou.
O tédio é perigoso quando disfarçado de monotonia, ali na rotina; quando deixamos ele ficar calado, sem nome, no passar dos dias; nos costumes que ninguém aguenta, mas que dão trabalho de mudar, então ficam; nos prazeres que se tornam obrigação; na educação que faz sorrir e cala as palavras que nasceram pra sair, que amordaça o que há de melhor dentro de nós.
Mas quando você sente o tédio, quando você se permite exprimi-lo e o transforma em vontade, ele se torna força criativa, se torna mudança. Ele te permite procurar, e faz doer cada vez mais a conformidade.
E a tristeza, essa que insistem em ver em você, também não é ruim. A gente nunca está tão vivo do que quando dói.
Estar longe dá uma vontade louca de viver e parar no tempo simultaneamente. Viajar, sentir, parar e ficar anestesiada, em casa, deixando o tempo correr lá fora enquanto eu me tranco em mim mesma. No meio desse turbilhão, uma das melhores coisas que acontece é doer.
Quando eu fico realmente triste, isso me traz pro chão. Eu choro aquele choro entrecortado, que te impede de respirar, arde os olhos, embaça o mundo, dói a cabeça e rasga a alma. Tento chorar baixo pra ninguém ouvir, enquanto quero chorar alto e me esvaziar.
E aí acaba. E eu me sinto viva.
Não deixe o seu tédio calar, permita-se sofrer. E continue escrevendo com essa honestidade que faz tão bem.