Por que eu não trouxe isso do Brasil?

Da série, “Amiga, não cometa os mesmos erros que eu.”

#5 Esmaltes

Cada vermelho, rosa, nude e cores básicas que você esquece de trazer são um esmalte de cor/marca diferente que você deixa de comprar. E por mais incrível que seja seu esmalte azul Mulher Maravilha da MAC, talvez seja algo que você não vá usar muito.

“Vou levar só essa base que tá acabando e essas duas cores que eu nem uso tanto mas que eu gosto, o resto compro lá.”

Não faça isso, a não ser que esteja no seu orçamento gastar 15 reais ou mais num vidrinho de esmalte (ou que você esteja indo morar nos EUA. Aliás, nada dessa lista se aplica se você estiver indo morar nos EUA, onde tudo é ridiculamente barato).

Sei não como é em outros lugares, mas a Espanha é um país relativamente barato pra se morar, e aqui praticamente qualquer esmalte custa pelo menos 5 euros (aproximadamente 12 reais) o vidro – Essie, OPI, mesmo os da H&M. L’Oréal, MAC, Revlon, Chanel, 10 euros pra cima. Bases também são bem caras – a mais barata que achei me custou 6 euros. As da Essie estavam 15 (37 reais numa base de unhas, olha que lindo). Então, pro bem do seu bolso, traga seus velhos amigos da Colorama, Impala e cia. na mala, e deixe pra comprar aqui só aquelas cores incríveis que custam 90 reais no Brasil- aqui você vai pagar só uns 25 (ou 40, ou 70…), olha que bom.

PS: Se você estiver indo pra Itália, relaxa porque lá tem a Kiko, que realmente é mais barata. Mas aqui em Madri é mais difícil achar. E os tals esmaltes da Zara que me indicaram até hoje não encontrei em nenhuma loja.

#4 Produtos pra cabelo

Vai dar uma dor no coração cada vez que o produto novo não fizer nem 1% do efeito que seu creme preferido faz.

Se o seu cabelo for cacheado, seco, ou qualquer outra coisa que precisa de um tratamento diário, e você já tem um creme no Brasil que funciona muito bem, não se esqueça de trazer vários potes na viagem. Claro que, se você já usar John Frieda ou outra marca facilmente encontrável em terras do além mar (L’Oréal, Garnier, ou coisas assim), você pode deixar pra comprar aqui. Mas se seus produtos forem brasileiros, você vai se arrepender muito se trouxer poucos. Cada tentativa de encontrar um substituto vai te custar uns 7 euros e um pote de creme/spray/x abandonado no seu banheiro se não te agradar.

#3 Lenços

Acho que tá na hora deu comprar uns lenços novos.

Tão leves, tão lindos, e claro que você pode comprar sempre mais. Mas cada um ia te custar pelo menos uns 10 euros se você não souber procurar, e se você esquecer aqueles seus preferidos no Brasil e estiver com pouco dinheiro, vai sempre pensar “por que eu achei que não ia precisar deles?”

Sério.

#2 Biquíni

Imagina essa marca? (H&M - 9,95 euros)

Aqui o caso não é tanto de preço, porque na H&M você consegue achar biquínis por uns 23 euros o conjunto (o que dá quase 60 reais), o problema é que não faço ideia da qualidade. Mas enfim.

O problema é que a maioria dos biquínis que eu vi aqui são pra quem gosta daquelas calcinhas enormes. Eu não uso fio dental na praia nem nada, mas ficar com uma marca gigante de calcinha na bunda não é uma ideia que me agrada muito.

Por algum motivo, eu só trouxe um conjunto de biquini do Brasil e larguei todos os meus outros mofando no armário em São Paulo. Boa sorte pra mim, que vou aparecer em todas as fotos com o mesmo biquíni.

#1 Pijama de flanela

Adivinha? Só essa cobertinha não vai ser suficiente quando lá fora estiver abaixo de zero.

POR FAVOR, TRAGA UM PIJAMA QUENTE NA SUA MALA. Por favor. Não ouça sua irmã mais velha quando ela te disser “Lá tem calefação, pra que você vai gastar espaço da sua mala com isso?”

Sabe por quê? Porque você vai viajar e alguns hostels não vão te dar coberta suficiente. Porque a calefação às vezes desliga no meio da noite. Porque quando tá fazendo temperatura negativa lá fora, não adianta só calefação e uma mantinha. Porque vai chegar em abril, sua casa vai ficar sem calefação central até novembro (porque supostamente agora já está calor), os termômetros vão estar marcando 1 grau lá fora e você vai se arrepender pra sempre de ter deixado seus pijamas quentinhos em São Paulo.

Pro mundo todo ouvir

Eu gosto de declarações de amor. Gosto mesmo. Gosto de ler rabiscado no assento de um ônibus, pichado em um banco da prainha, desenhado em um muro, todos aqueles eu te amo perdidos que ficaram marcados, ainda que um dia aquele amor tenha acabado. Mas o que eu gosto de verdade é de ler declarações em sites como o Orkut, Facebook, até o Twitter – 140 caracteres dedicados a alguém especial. Ver aquele depoimento que a pessoa escreveu há anos e que se renova, ou que se perdeu e deixa um gosto meio amargo de saudades misturado com nostalgia. Um scrap bobo, uma declaração no álbum de fotos. Eu rio com os exageros, com a breguice, mas procuro por tudo isso pra passar meu tempo, meio assim sem perceber – e fico decepcionada quando fuço o perfil de duas pessoas que eu sei estarem juntas, namorando, e não encontro nada. Gosto das comunidades trocadas, daquele “lembrei de você” que sempre está ali escondido, até mesmo os poemas e as fotos ridículas me divertem e completam de algum jeito meu dia. Como se tudo isso comprovasse que o amor de fato existe, ainda que tanta coisa tente provar o contrário, é só a gente ouvir com atenção. Eu amo os gritos apaixonados que preenchem meu cotidiano alheio.

Atestado de óbito

As costas doem, as pernas doem, os braços doem, respirar dói, os olhos pesam, o nariz não funciona, a mente nublada, a vontade de deitar enrolada num cobertor e dormir, dormir, dormir.

Tem gente que chama isso de gripe, mas tenho certeza de que é algo muito mais grave. Pra todos os efeitos, morri. O telefone desligado, a luz apagada, nada de barulho, por favor. Quando ressuscitar, aviso.

Resoluções de Ano-Novo

Aquele masoquismo tá dando as caras novamente. Por que eu não consigo ser mais mulher e querer sem vergonha, sem receios e, principalmente, pelos motivos certos? Por que eu deixo tudo pro último segundo? Juro que vou retomar minhas caminhadas e começar a comer direito.

Toda paz que eu preciso

Meu horóscopo esses dias tem me dito pra ficar com a família, meio reclusa, refletir sobre meus sentimentos, trabalhar arduamente, desenvolver meu lado artístico. Estou seguindo à risca as instruções – vim pra terrinha natal ficar na casa da mãe, estou criando painés e capas de caderno com colagens, fazendo colares, planejando a decoração do meu quarto e… lendo.

Gente, como eu amo ter tempo pra ler. Aliás, paciência pra ler. Engraçado – quando eu era menor, eu era meio antissocial até, porque tava sempre com um livro pra lá e pra cá e não tinha nada que eu gostasse mais de fazer do que isso. Não que eu não goste mais de ler – eu amo. Mas às vezes dá uma preguiça de parar tudo e ficar simplesmente absorta na leitura… O problema é que eu morro pro mundo quando tô lendo, e aí não sei. Andou faltando vontade, desde o ano passado, pra morrer assim com freqüência. Provavelmente porque ano passado foi o fatídico anodovestibular, então eu queria aproveitar meu tempo livre pra viver em sociedade, não morrer (e renascer) na solidão dos meus livros. E agora com toda essa correria e mudança e faculdade, me peguei no furacão de novos amigos, saídas, festas.

É por isso que, apesar de saber que isso provavelmente vai foder um pouco com as minhas férias de dezembro, não tô reclamando muito desse adiamento do início das aulas por causa da gripe suína. Me dá mais tempo pra curtir leituras boas, em casa ou no parque. Bom resto de férias pra quem ainda as têm. :)

Recomendações:

“Adultérios”, Woody Allen – 3 histórias no estilo de peça de teatro: uma mini introdução e o resto é só diálogo, todas em Nova York e com típicos personagens Woody Allenianos. Engraçadas e muito, muito reais.

“A mulher do viajante no tempo”, Audrey Niffenegger - Clare Abshire conhece Henry quando tem 6 anos e ele, 36. Quando Henry DeTamble conhece Clare, ele tem 28 e ela, 20. Henry é um viajante no tempo, e suas idas e vindas fazem com que ele conheça Clare em diferentes épocas. Elas também fazem com que ele tenha que abandoná-la com muito mais freqüência do que gostaria – sem saber se vai voltar ou não. Um romance sobre espera, descobrimento, ausência, relacionamentos, amizade… pessoas. Um dos melhores livros que já li, e reafirmo isso toda vez que releio. Já deve ser só a 20392839 vez. :>

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