A verdade é que eu tinha enjoado um pouco de museus — como quando a gente passa a comer demais nossa comida preferida, e de repente não aguenta mais.
Mas é impossível resistir aos de Londres, então arrisquei a dica dos amigos e fui no Imperial War Museum pra ver se era mesmo tudo isso.
Começa pela arquitetura. Você está andando tranquilamente na rua, de repente vê uns jardins, de repente uns, espera, canhões? E, aos poucos, o prédio vai aparecendo detrás das árvores e é lindo.
É lindo, e é enorme. A Marina, minha amiga que está me hospedando aqui, tinha recomendado a exposição sobre o Holocausto. Decidi ir lá primeiro e, depois, ver outras coisas do acervo permanente, como o andar sobre as Guerras Mundiais. Que ingenuidade.
The Holocaust Exhibition segue aquele caminho mais ou menos conhecido. Explica a situação pós Primeira Guerra Mundial, o clima de insatisfação econômica, social e política na Alemanha em crise, o surgimento e fortalecimento das ideias nazistas, etc. A ascensão de Hitler ao poder, como tudo foi muito rápido, como os judeus (e outras minorias) foram perdendo direitos. Tudo numa linha cronológica e bem explicado.
O que me impressionou foi como, apesar de eu já ter visitado outras exposições a respeito do assunto (por exemplo, a do Centro de Documentação Topografia do Terror, em Berlim), já sabendo essa parte história mais ou menos batida, fiquei três horas vendo cada foto e vídeo ali. O ponto chave para o sucesso da exposição é o cuidado da curadoria em deixar claro por que aquele trabalho é necessário. Por que o Holocausto é uma coisa que merece tanta atenção. Um elemento que eu não lembrava de ter visto em tanta evidência antes, o de que o ódio aos judeus não era exclusivo dos nazistas, e de que já vinha há muito, muito tempo. Os guetos, a exclusão social, a acusação por todo e qualquer mal da humanidade. Como o discurso nazista foi tão bem aceito – e incomodou tão pouco aos outros países até eles começarem a se ver ameaçados – porque era um discurso socialmente aceitável há séculos.
Ao mesmo tempo, os argumentos da exposição são balanceados, e senti um cuidado especial nas horas de tratar da questão de Israel.
Efetivamente aprendi coisas ali. Personagens novos, dados interessantes, vídeos bem pensados e com um formato e tempo bons. O clima da exposição também vai mudando de acordo com as fases – o ambiente fica particularmente sombrio quando chega nos campos de extermínio, e ganha mais luz quando vamos chegando ao final da guerra e quando se fala (finalmente) dos sobreviventes.
No final, depois de três horas completamente absorta ali, não tive ânimo para visitar o resto do museu, e terei que voltar outro dia. Mas tenho certeza absoluta de que vai valer tão a pena quanto hoje.
PS: Outra exposição que está rolando por lá, e parece bem incrível, é a do fotógrafo de guerra Don McCullin — talvez mais conhecido por alguns ai por ser o responsável pelas belas fotografias do livro Um Dia na Vida dos Beatles, lançado no Brasil pela Cosac Naify em 2011.































