laetitia

Gabriel Pedrosa, estudante de Arquitetura e Urbanismo da FAU
texto integrante da 17ª Mostra Nascente

(…)

eu me rendo, querida,

entre a necessidade

suas imagens

latendo sob outras paisagens

e o tédio e o tédio e coisas que acaso

brilham

nos desvãos a espera de mais dias

mesmos

na contraluz olhares trocados

a esmo e explode como em fruta açúcares e álacres prenúncios de morte em meio ao trânsito

o cheiro do sexo dessa que sem mais tomou pra si o centro de todos os meus

volteios

(…)

Toda paz que eu preciso

Meu horóscopo esses dias tem me dito pra ficar com a família, meio reclusa, refletir sobre meus sentimentos, trabalhar arduamente, desenvolver meu lado artístico. Estou seguindo à risca as instruções – vim pra terrinha natal ficar na casa da mãe, estou criando painés e capas de caderno com colagens, fazendo colares, planejando a decoração do meu quarto e… lendo.

Gente, como eu amo ter tempo pra ler. Aliás, paciência pra ler. Engraçado – quando eu era menor, eu era meio antissocial até, porque tava sempre com um livro pra lá e pra cá e não tinha nada que eu gostasse mais de fazer do que isso. Não que eu não goste mais de ler – eu amo. Mas às vezes dá uma preguiça de parar tudo e ficar simplesmente absorta na leitura… O problema é que eu morro pro mundo quando tô lendo, e aí não sei. Andou faltando vontade, desde o ano passado, pra morrer assim com freqüência. Provavelmente porque ano passado foi o fatídico anodovestibular, então eu queria aproveitar meu tempo livre pra viver em sociedade, não morrer (e renascer) na solidão dos meus livros. E agora com toda essa correria e mudança e faculdade, me peguei no furacão de novos amigos, saídas, festas.

É por isso que, apesar de saber que isso provavelmente vai foder um pouco com as minhas férias de dezembro, não tô reclamando muito desse adiamento do início das aulas por causa da gripe suína. Me dá mais tempo pra curtir leituras boas, em casa ou no parque. Bom resto de férias pra quem ainda as têm. :)

Recomendações:

“Adultérios”, Woody Allen – 3 histórias no estilo de peça de teatro: uma mini introdução e o resto é só diálogo, todas em Nova York e com típicos personagens Woody Allenianos. Engraçadas e muito, muito reais.

“A mulher do viajante no tempo”, Audrey Niffenegger - Clare Abshire conhece Henry quando tem 6 anos e ele, 36. Quando Henry DeTamble conhece Clare, ele tem 28 e ela, 20. Henry é um viajante no tempo, e suas idas e vindas fazem com que ele conheça Clare em diferentes épocas. Elas também fazem com que ele tenha que abandoná-la com muito mais freqüência do que gostaria – sem saber se vai voltar ou não. Um romance sobre espera, descobrimento, ausência, relacionamentos, amizade… pessoas. Um dos melhores livros que já li, e reafirmo isso toda vez que releio. Já deve ser só a 20392839 vez. :>

Relatividade

RelatividadeEu vou entrar pra empresa júnior de editoração, eu vou entrar pra empresa júnior de editoração, eu vou entrar pra empresa júnior de editoração. Eu entrei pro Redigir, eu entrei pro Redigir, eu entrei pro Redigir. Eu tive experiências universitárias, eu tive experiências universitárias, eu tive experiências universitárias.

Eu estou há um semestre na faculdade, eu estou há um semestre na faculdade, eu estou há um semestre na faculdade.

Eu vou pra Curitiba segunda, eu vou pra Curitiba segunda, eu vou pra Curitiba segunda.

Tem coisas que, não importa quantas vezes a gente repita, não parecem reais.

Cansei

Parei com você, não vou arriscar

Dispenso o seu drama, vou arriscar
Sei como agir

Eu quero te perder
Pra me encontrar

#oldschool, S&J ainda faz a gente rir quando cantado com as amigas. Mas, sinceramente? Às vezes eu ainda super me sinto numa música pré-adolescente deles.

Desde que me mudei para São Paulo, venho me perguntando o que foi que mais mudou. Não morar mais na cidade em que cresci? Não conhecer tão de perto as ruas, casas, lojas, muros? Não poder andar sem consultar mapas? Ter que pegar um ônibus para tudo que faço? Estar na universidade? Não conhecer direito ninguém? Ter que me responsabilizar por tantas coisas? Não ter meus pais por perto? Não sair para os lugares conhecidos? Conhecer algo novo todos os dias? Cozinhar para uma pessoa?

Hoje eu percebi que a maior diferença, mesmo, era que, antes, “longe” significava quinze minutos de distância, ou no máximo uma viagem de ônibus. “Longe” era uma ligação no meio da tarde e alguns reais a mais na conta telefônica. “Longe” era esperar até a uma da tarde do dia seguinte.

Diferente, mesmo, é ficar sozinha num banheiro. E saber que quando você conseguir finalmente se recompor, respirar fundo e abrir a porta pra ir lavar o rosto, não vai ter alguém ali pra te abraçar e dizer que tudo vai ficar bem.

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