Colorblind

O dia estava cinza.

Senti-o ao acordar. O frio nos dedos, a preguiça traiçoeira, a sensação de tempo perdido logo de manhã. As roupas no armário pareciam desbotadas e eu tinha pressa, mas já estava mesmo atrasada. Sentei-me à cadeira fria e deixei-me perder mais um pouco daqueles minutos lentos e gélidos – um tique e taque automático que perdia força ao som dos passos dos habitantes ocupados da cidade. Observei os casacos e caras e blusas e movimentos contidos naquele tempo tão estranho à cidade normalmente laranja (embora ela andasse tão bege ultimamente).

Depois era eu e era eles, era mistura do cinza preto e branco, dos fios roxos pra quebrar a monotonia, sem sucesso. Eram meus passos no asfalto e meus pensamentos longe. Meus sorrisos guardados e eu inteira no vento. E era eles. (não tão egocêntrica assim, vê? pois que eu jamais poderia ser tão romântica a ponto de centrar-me o mundo a todo instante.)

Era um dia fúnebre, fazendo-se notar desde cedo. Porque a morte está em cada esquina e linha impressa, conversa e riso. Espreitando um dia cinza para fazer-se notar.

(Mas aproveite os tons, pois são estes inspiradores; não são vida e morte o mesmo?)

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

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