Linhas tortas

Era uma sensação estranha. “É inacreditável, não é, a diferença entre ler sobre uma coisa, vê-la em fotos e experimentá-la?” Edward estava certo, como quase sempre, mas para ela não se tratava do primeiro amor. Nem de ciúmes, proteção, ou mesmo amizade. Era algo dela, e só dela, que não podia – embora ela tentasse dividi-lo através de sorrisos e gritos animados e exclamações – ser explicado ou compartilhado em sua plenitude, sendo assim tão particular.

Viera de repente – não, não, não viera. Construíra-se aos poucos e ficara à espreita – explodira de repente, era mais correto dizer. Como se apenas ler aquelas explicações sobre o futuro houvesse puxado um gatilho escondido e lá estava. Aquele senso crescente, notável de reconhecimento. De pertencer. De encontrar.

Encontrar-se.

Era isso, não era? Acordar um dia sabendo – ela havia acordado, sim, pois de repente tudo a sua volta fazia-se mais claro e as coisas pareciam ter sentido -, simples assim. Saber o que se procura e como encontrá-lo, como fazê-lo, mesmo que ainda com algumas dúvidas – tão, tão ínfimas agora.

De repente, quatro anos fora de casa não pareciam assim tão ruins. Porque, agora, eles seriam preenchidos por algo mais.

Anúncios

Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

1.

3.

4.

  • 14,146 já ouviram
%d blogueiros gostam disto: