Amor pintado

Dei de escrever no LiveJournal, tendo finalmente tomado vergonha na cara e arrumado minha página lá – ainda tendo sida minha conta criada com o único intuito de ler fanfictions em sua maioria não apropriada para menores de idade.

Me vi criando, logo no primeiro post, uma história (para lê-la, você tem que me adicionar como amigo no LJ), como nunca antes me ocorrera, e já pelo terceiro dia lá escrevo, embora os dois últimos posts tenham sido mais voltado para o lado “querido diário” da coisa. Essa facilidade súbita para botar em vocábulos meu dia-a-dia e expressões pôs-me a pensar – nunca me foi fácil escrever sobre mim mesma assim de cara, em primeira pessoa, relatando o que fiz ou deixei de fazer, o que quero, o que penso, desejo. Escondo-me nas personagens que crio, pouco a pouco e detalhe a detalhe, um livro ou frase aqui e traços de personalidades múltiplas: são essas as tintas das quais falei certa vez. Pois descobri, agora e assim, que esconder-me na língua estrangeira também é fato válido e artifício novo, e vem daí a facilidade: é como se fugir do português me capacitasse escrever sobre mim sendo outra. Se isso é bom ou ruim… Serei um pouco socióloga e direi que nenhum dos dois; atesto apenas o fato.

***
Sobre o amor, suas faces e meu prisma
Desentendimentos a respeito do post passado levaram-me a ver que eu talvez tenha me expressado mal.

“amor incondicional ao qual eu gostaria de me render um dia”

O amor de Ricardo por Lily chega a ser doentio – e não, eu não desejo isso pra ninguém. Mas atire a primeira pedra a garota que nunca sonhou com seu próprio tipo de príncipe encantado, com aquele cara que, faça você o que for, continuará a te amar pelo resto da vida. A gente cresce sonhando com um amor assim, porque ele parece ser a melhor coisa do mundo – e talvez seja, se você o corresponder. É a isso que eu gostaria de me render um dia: esse gostar tanto que nada parece ser obstáculo grande demais, esse querer meio louco, essa obsessão recíproca feita sadia com o tempo.

“conhecendo minha natureza (…) recusaria, fazendo proveito quando desse na telha, essa devoção quase doentia”

A questão é que o amor só é válido quando parte dos dois lados da relação, e se ele me aparecesse agora, eu muito provavelmente me utilizaria dele pra certos proveitos e o dispensaria depois.

“O amor só me vale quando me preenche – o unilateral não me interessa.”

Me preencher, no caso, não significa completar um vazio qualquer, mas sim complementar-me no que já sou sozinha, preencher os pequenos pedaços aos quais não se tem acesso quando não se está com alguém. Mas isso só ocorre se o sentimento for recíproco, se você amar tanto quanto for amado – senão, o sentimento é um peso morto. Por isso, não me interessa o unilateral.

Bruh: não acredito que exista, mas meu lado garotinha sonhando com contos de fadas gosta de acreditar que sim. O lado mais realista acredita que ele pode ser, no máximo, obsessivo. Mas eu nunca fui mãe, então talvez ele exista, sim, mas nessa forma que ainda me é desconhecida.

Tarsila: mas é exatamente isso que eu penso, por isso não me valem amores unilaterais (só eu amando, ou só sendo amada). Quero ser preenchida de um amor que venha de dentro e de fora, de todos os lados, de mim mesma e do outro, de mim e para mim, de mim para o outro. Precisar ser completada por outra pessoa não dá certo – a gente ama bem quando se ama primeiro. Mas também há de se deixar amar. O que eu quis dizer é que eu recusaria um amor de Ricardo tão obsessivo, pois não me basta que seja tão louco de um lado só, eu teria que sentir o mesmo, e me conhecendo, isso seria difícil.

Kamilla: concordo com você, nunca disse o contrário no meu post.

Aline: não preciso de um marido rico, só de alguém que queira me sustentar sem compromissos! Hahaha.

Nana: eu tenho essa ambição quando a falta de dinheiro me impede de fazer certas coisas, mas na maior parte do tempo sou mais do que feliz com o que tenho.

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

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