Solidão

Preciso escrever. Às vezes me vem essa necessidade, mas cada vez menos me vejo realmente dar-me um tempo para isso. Incrível como colocar apenas essa sentença organizada em palavras me fez refletir já sobre tantas coisas: tanto tempo livre, e dedico menos e menos dele para mim mesma. Clarice se envergonharia.

Preciso ler. Romances imensos, histórias alheias, reflexões sobre a vida o mundo problemas e descobrir que sou tão igual a tantos que me desconheço verdadeira. Nos achamos tão diferentes que acabamos, normalmente, por não ver o que somos de fato ou as pequenas linhas verdadeiramente desiguais.

Preciso escrever. Sim, preciso, sobre o quê não sei. Tanta mudança e eu sozinha igual a tantas outras vezes, e me irrita que muitos vejam isso como algo errado, sendo na verdade condição necessária para eu me sentir bem. Em muitos casos. Talvez não nesse. Sinto todos indo embora – ruas, cidades, países, nichos, gostos, vidas – e não consigo me ater a nada – cada começo sem final me destrói mais um fio. De pensamento. Filete de sangue. Fio de cabelo. Linhas na pele. Veias. Nervos. Coração.

Preciso ler. A vida dos outros, vista por quem está de fora, traz-nos visões tão distintas sobre situações tão comuns e é disso talvez que eu mais necessite. Alguma solução no problema do outro para ser aplicada como remendo – ou remédio – no meu. Problema. Caso. Modo. Não só preciso, mas quero, descobrir. Sobre o que escolhi e está por vir. Quero saber o que me espera e me aflige não ser isso exatamente – ou perfeitamente – possível. Mas quando lemos não temos o controle.

Preciso escrever. Preciso sentir que alguma coisa ainda depende dos meus pensamentos e das minhas idéias e da minha vontade.

Preciso de vontade.

Preciso me entender.

Estou naquela típica fase de contestação de si mesmo e sempre me foi necessário um apoio sólido. Mas a roda não espera, e os outros se vão, e enquanto me descubro eu fico só.

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

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