Desde que me mudei para São Paulo, venho me perguntando o que foi que mais mudou. Não morar mais na cidade em que cresci? Não conhecer tão de perto as ruas, casas, lojas, muros? Não poder andar sem consultar mapas? Ter que pegar um ônibus para tudo que faço? Estar na universidade? Não conhecer direito ninguém? Ter que me responsabilizar por tantas coisas? Não ter meus pais por perto? Não sair para os lugares conhecidos? Conhecer algo novo todos os dias? Cozinhar para uma pessoa?

Hoje eu percebi que a maior diferença, mesmo, era que, antes, “longe” significava quinze minutos de distância, ou no máximo uma viagem de ônibus. “Longe” era uma ligação no meio da tarde e alguns reais a mais na conta telefônica. “Longe” era esperar até a uma da tarde do dia seguinte.

Diferente, mesmo, é ficar sozinha num banheiro. E saber que quando você conseguir finalmente se recompor, respirar fundo e abrir a porta pra ir lavar o rosto, não vai ter alguém ali pra te abraçar e dizer que tudo vai ficar bem.

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

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