Intangível

Ia começar esse post escrevendo mentiras que eu não sabia serem mentiras até começar a escrever. Ia dizer que não sou uma pessoa de extremos em matéria de relacionamentos – como disse, mentira. No meio termo eu nunca me encontrei. Ao mesmo tempo, há certos extremos que parecem não ter sido feitos pra mim, e eu fico ali, meio bamba.

A palavra pra mim é controversa.

Meu maior problema para escrever aqui é que eu me perco, começo a pensar em um milhão de coisas enquanto escrevo e de repente o post está tomando um rumo completamente diferente daquele previsto anteriormente. Céus, se eu não consigo manter uma linha de coerência em um *texto*, que dirá em um relacionamento?

O que acaba de me ocorrer é – por mais estúpido e óbvio que possa parecer: às vezes a gente acha que sabe tudo sobre uma pessoa, mas a verdade é… nós nunca vamos saber. Há tanta coisa, tantos pequenos detalhes guardados em lugares tão íntimos e profundos que muitas vezes nem nós mesmo os encontramos, tanto perdido para os outros. Em teoria (e isso já me afligiu muito, por estar na minha cabeça uma hora e na seguite sumir), isso significa que sempre teremos assunto para conversar com alguém. Afinal, por mais que falemos, por mais que exploremos uma única memória, sempre haverão outros ângulos, outros detalhes, outras cores.

Há tanta coisa que não se toca. Não se tange.

Ainda que eu tente explicar, ainda que eu conte e reconte e mais uma vez a mais de uma pessoa, ainda que a pessoa tenha vivido algo similar, nunca alguém vai conseguir agarrar a essência da minha confusão, da minha vontade de gritar pelas coisas mais estúpidas durante o dia. Perceber a sutil diferenciação de motivos e vontades, a coloração nova que aqueles dias me trouxeram, o desejo de voltar atrás porque… Porque antes eu conseguia ter melhor controle das situações, e não o ter me enlouquece pouco a pouco.

Eu sempre fui de extremos. Paixão ou raiva, amor ou indiferença, alegria desenfreada ou tristeza pungente. Saudade ou tédio.

Eu nunca fui de extremos. Um, pedaços. Dois, desejo. Três, destino. Quatro, doce. Cinco, ímpeto. Seis, corações. Sete, acaso.

Eu nunca vou fazer parte de certas fotografias. Gostaria de sentir o intangível.

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

Uma resposta para “Intangível

  1. Pablo Neruda

    Quero saber

    Quero saber se você vem comigo
    a não andar e não falar,
    quero saber se ao fim alcançaremos
    a incomunicação; por fim
    ir com alguém a ver o ar puro,
    a luz listrada do mar de cada dia
    ou um objeto terrestre
    e não ter nada que trocar
    por fim, não introduzir mercadorias
    como o faziam os colonizadores
    trocando baralhinhos por silêncio.
    Pago eu aqui por teu silêncio.
    De acordo, eu te dou o meu
    com uma te dou o meu
    com uma condição: não nos compreender

    Curtir

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