Ano novo, parte II

Nunca me vi escrevendo uma carta. Sério, você me conhece – não sou esse tipo de pessoa. Mas você é a segunda pessoa a me dar essa vontade, então acho que isso diz alguma coisa. Por isso, escrevo.

Como foi o ano novo? Se embebedou lá na praia? Comemorou por mim? O meu foi bom, com a família – Bárbara trouxe o namorado (ou rolo, não sei bem dizer, na real pra mim ele é só um velho amigo da família) novo, Clara passou com a gente pela primeira vez em anos e Nívea foi, bom, Nívea.

Mas por que eu tô falando sobre isso? Lá vou eu me enrolando, se não me controlo daqui a pouco começo a escrever sobre coisas sem sentido nenhum e você vai me achar uma idiota. Por que isso sempre acontece quando estou falando com você? Eu normalmente não tenho problema algum em falar com as pessoas, falar o que quero, e é daí que vem essa não necessidade de cartas: pra que escrever se falar é tão mais fácil? (E lá vou eu me distraindo…)

Eu senti sua falta. Ta aí, falei, senti. Tentei falar com você mas as linhas estavam ocupadas, nem mensagem no celular tava indo. Então digo agora, senti, quis falar com você, e meu coração ficou apertado de um jeito todo esquisito desde que deu meia noite até a hora de dormir. Quis você por tantos motivos, e não penso em nenhum pra escrever, o que significa que também te quis por motivo nenhum, e isso me preocupa mais ainda. Como eu posso te querer assim, do nada? Só por causa de um comemoração idiota? Só por que a gente beija alguém pra começar o ano?

Não te dei permissão pra me fazer sentir assim, Bernardo, e por Deus, as aulas terminaram, eu achei que nas férias teria paz, mas a gente continuou se falando (maldita internet) e saindo e por que você tinha que me beijar justo antes de viajar com seus amigos? Fiquei feito louca todas as vezes que saímos esperando você fazer alguma coisa e nada. “Alba, esquece, não vai acontecer,” eu repetia. Não te dei permissão. Aliás, não te dei permissão pra nada, eu te avisei desde o começo. Vou falar muito sério com você agora: eu falei, não falei? Que era pra você tomar cuidado, por que eu não era (sou) muito normal? Ta aí, não sou, sou quebrada e zoada e deveria não ficar encanada com nada disso e eu nunca fiquei antes, sempre era tudo bem normal, se você quiser (puder) chamar de normais os meus padrões, mas é isso.

E ainda te quero.

Um beijo – agora meu,
Alba

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

Uma resposta para “Ano novo, parte II

  1. De tudo isso só consigo dizer que é horrível sentir saudades de quem não se devia sentir… e sei que vou sentir no ano novo porque já estou sentindo agora. Mas não por causa de um beijo que aconteceu antes de uma viagem e sim por um beijo que eu sei que nunca vai acontecer.

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