Pro mundo todo ouvir

Eu gosto de declarações de amor. Gosto mesmo. Gosto de ler rabiscado no assento de um ônibus, pichado em um banco da prainha, desenhado em um muro, todos aqueles eu te amo perdidos que ficaram marcados, ainda que um dia aquele amor tenha acabado. Mas o que eu gosto de verdade é de ler declarações em sites como o Orkut, Facebook, até o Twitter – 140 caracteres dedicados a alguém especial. Ver aquele depoimento que a pessoa escreveu há anos e que se renova, ou que se perdeu e deixa um gosto meio amargo de saudades misturado com nostalgia. Um scrap bobo, uma declaração no álbum de fotos. Eu rio com os exageros, com a breguice, mas procuro por tudo isso pra passar meu tempo, meio assim sem perceber – e fico decepcionada quando fuço o perfil de duas pessoas que eu sei estarem juntas, namorando, e não encontro nada. Gosto das comunidades trocadas, daquele “lembrei de você” que sempre está ali escondido, até mesmo os poemas e as fotos ridículas me divertem e completam de algum jeito meu dia. Como se tudo isso comprovasse que o amor de fato existe, ainda que tanta coisa tente provar o contrário, é só a gente ouvir com atenção. Eu amo os gritos apaixonados que preenchem meu cotidiano alheio.

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

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