Coisas banais

“Vou pegar alguma coisa pra comer, tô com fome.”

“À vontade. Fuça aí na geladeira e vê o que tem, acho que sobrou macarrão.”

“Perfeito!”

“Espera, você não vai esquentar?”

“Não, eu amo comida fria.”

“Jura? Dá um pouco aí.”

Quando acabasse, ela olharia para trás e saberia que aquele, exatamente aquele, fora o momento em que se apaixonara.

Tentou lembrar de outros (ela já tivera muitos amores). Nunca era uma coisa só: um beijo, uma transa. Era sempre o antes ou o depois, o estar abraçado, os arrepios, o sentir tanta falta mesmo enquanto se fala. A pungência de um olhar no quarto escuro e dos corpos sem tocar. Os momentos mais íntimos ou os mais banais, que fazem nascer ou morrer o amor, que traçam de uma hora para outra a linha dos sentimentos.

Ela se lembraria de tudo isso e mais. Reescreveria toda sua história através desses começos e fins, e ficaria mais atenta.

Quando o próximo chegou, já estava preparada.

“Quer um Trident?”

“Não, obrigado… Na verdade… Eu não gosto muito de mulher que masca chiclete.”

Olhou para o lado e começou a procurar um novo amor.

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

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