Mitologia particular

Essa noite eu sonhei que ela me abandonava. Sem eu saber por que, ela apenas ia embora. Me deixava sozinha, com os meus demônios, os quartos vazios, os corredores ecoando as conversas que já não existiam mais.

Essa noite eu sonhei que traía. Traía sem bem saber o que, com alguém que era igualzinho a ele, embora não o fosse, e seus olhos profundos me encaravam com o peso da mágoa de se ver enganado por quem a gente ama.

Essa noite eu sonhei que caía. Caía, mas não encontrava o chão, continuava caindo, e caindo, e caindo, naquele um segundo que embarca todo o tempo que o universo já presenciou.

Acordei caindo, traindo, abandonada. Com todo peso do mundo sobre o peito, todas as tragédias perenes, todas as narrativas universais. Eu acordei sem ar. Com todo o peso dos arquétipos que carregamos em nós. Acordei, e talvez eu nunca saiba, afinal, o que eu realmente sonhei.

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Sobre Lívia Furtado

Começou a estudar jornalismo e desenvolveu cada vez mais seu amor pelos livros. Começou a fazer reportagens, brincou de editar livros, foi parar na Flip e descobriu que, realmente, é a literatura seu grande amor.

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