25

  1. mantive um canal no YouTube (e pretendo continuar mantendo)
  2. consegui ser financeiramente independente
  3. fui jurada de um concurso literário
  4. aprendi a usar panela de pressão (e a fazer feijão)
  5. conheci a Grécia
  6. finalmente fiz uma fantasia de Sininho
  7. fui convidada a escrever um livro (por mais de uma pessoa)
  8. juntei dinheiro
  9. passei todos os dias da Flip em Paraty
  10. conheci (e gravei com) o Reinaldo Moraes e a Jout Jout
  11. fiz uma amiga gostar de carne de porco, uma gostar de arroz e um gostar de fruta na comida
  12. descobri uma nova festa boa de pop
  13. conheci Brasília (e o Zuko)
  14. perdi meu medo de cantar em karaokês
  15. comecei a comer frutas todos os dias
  16. fui na Pizzaria Bate-Papo
  17. passei o ano-novo no Rio de Janeiro
  18. minha melhor amiga voltou a morar no Brasil
  19. aprendi a fazer – e fiz – crème brûlée
  20. comecei a gravar vídeos de culinária no Snapchat (e as pessoas gostaram)
  21. dirigi pela primeira vez na minha vida
  22. comecei a fazer exercícios físicos regularmente
  23. li quarenta e quatro livros
  24. conheci pessoalmente amigas incríveis
  25. me encontrei de volta, ou estou me encontrando. e encontrei você.
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Mitologia particular

Essa noite eu sonhei que ela me abandonava. Sem eu saber por que, ela apenas ia embora. Me deixava sozinha, com os meus demônios, os quartos vazios, os corredores ecoando as conversas que já não existiam mais.

Essa noite eu sonhei que traía. Traía sem bem saber o que, com alguém que era igualzinho a ele, embora não o fosse, e seus olhos profundos me encaravam com o peso da mágoa de se ver enganado por quem a gente ama.

Essa noite eu sonhei que caía. Caía, mas não encontrava o chão, continuava caindo, e caindo, e caindo, naquele um segundo que embarca todo o tempo que o universo já presenciou.

Acordei caindo, traindo, abandonada. Com todo peso do mundo sobre o peito, todas as tragédias perenes, todas as narrativas universais. Eu acordei sem ar. Com todo o peso dos arquétipos que carregamos em nós. Acordei, e talvez eu nunca saiba, afinal, o que eu realmente sonhei.

Todo texto começa de uma questão mal resolvida

Todo mundo vem com alguma bagagem. Todo mundo. Se tem uma coisa que aprendi nos últimos tempos é que isso não tem a ver com ser mulher, homem, hétero, gay, bi: todo mundo tem um passado e, na maior parte das vezes, lidamos com ele de uma maneira bem pior do que a que gostaríamos.

Ontem você me disse que eu sou uma das pessoas mais good vibes que você conhece e que quando eu fico mal o mundo sai um pouquinho dos eixos, e eu ri. Foi uma das coisas mais legais que já me disseram. E aí eu quis chorar.

“Todo romance começa com uma questão mal resolvida,” foi a frase do Juan Pablo Villalobos que mais me marcou naquela tarde de setembro. Eu ampliaria, Juan Pablo, se você me permitisse: todo texto assim nasce. Não há narrativa se não houver conflito. E por isso é tão difícil escrever quando estamos bem. (Embora a felicidade possa doer também, eu sei.) A gente escreve quando sangra. Quando dói tanto que vamos enlouquecer se aquilo não sair de nós.

Talvez há algum tempo eu tivesse concordado com você. Eu era mais alegre do que sou hoje, embora eu também já tenha sido muito mais triste. O que dói, agora, é não me reconhecer mais nessa imagem que criaram de mim. Eu tenho uma bagagem que não imaginava que teria, e ela pesa muito mais do que eu achava que pesaria. E é difícil pedir que alguém carregue esse peso comigo. Ele é meu. Eu sou minha. Eu me recuso a deixar mais alguém ficar com um pedaço meu, porque uma hora eu não vou ter mais nada que me pertença. Vocês podem ter tudo, mas só aquilo que eu permita que vocês tenham.

No meio desse jogo todo, talvez agora eu tenha criado, sem perceber direito, a garota good vibes. Aquela que está sempre ali pra te ouvir, que não tem problemas dos quais reclamar, que sempre ri, sorri, escuta e te abraça quando você precisa. Você não sabe como ela consegue estar sempre feliz, mas o mundo parece um pouquinho melhor por ela conseguir, já que você não consegue.

Mas ninguém é tão feliz assim – e fingir o tempo inteiro não torna aquilo real. É cansativo.

Eu tenho bagagem. Todo mundo tem.

Se você soubesse que eu escrevo, talvez você não tivesse se deixado enganar.

Afinal, a garota good vibes não escreveria. Ela não sangra. Eu, sim.

Disclaimer

Toda semana, o WordPress me avisa que está na hora de publicar um texto novo. Mas as coisas me pareciam cruas demais, nuas demais para serem publicadas. A nudez pode ser linda se trabalhada direito e exposta por vontade própria, não por descuido. A melhor parte da escrita é poder mostrar só o suficiente para que as pessoas tenham certeza que sabem do que você está falando, quando na verdade se está falando de algo completamente diferente. Misturar cenários imaginados à dor, expondo as feridas através de espelhos disformes. Expor ajuda a cicatrizar. Torna pública uma dor privada, dá perspectiva a um final mal resolvido, traz esperança. Esperança de que a próxima história será melhor.

Eu só consigo escrever sobre o que dói explicitamente quando não dói mais. Já vieram me falar, “li seu último texto, você não me parece bem, parece que não passou ainda.” E eu me senti profundamente ofendida porque pra mim é tão óbvio que, se não tivesse passado, eu não teria publicado aquilo. Seria um erro de iniciante se expor assim.

(Eu já o cometi vezes demais.)

Se a nudez transparece sem que queiramos, me sinto enganada por mim mesma, me sinto exposta de uma maneira cruel. Odeio a ideia de que os outros possam perceber, mesmo que por um reflexo, o que realmente estava por trás daquele texto. Que imaginem, claro, deixe que imaginem, mas nunca que saibam ao certo.

Eu não escrevo quando ainda estou sangrando. Mas, às vezes, é preciso escrever pra cicatrizar.

Quaresma

Outro dia me lembraram que começava a quaresma. Eu nunca entendi muito bem o que ela significava, mas sempre soube que a gente deveria ficar sem fazer algo do qual gostamos muito por quarenta dias, a fim de pagar nossos pecados (é isso?).

“Seus pecados, suas regras,” ele me disse.

E eu fiquei pensando que pecados eu tinha que pagar, e que regras meu próprio eu iria impor para que eu me redimisse. E decidi escrever.

Quarenta dias escrevendo. Uma punição dura e justa para redimir meu espírito.

Falhei já no primeiro dia. E no segundo. E no terceiro. E em todos que vieram depois, até agora.

Não sei mais em que dia da quaresma estamos, mas sinto que meu pecado e minha punição foram não escrever. Não escrever faz com que cada um dos meus sentimentos fique apertadinho aqui dentro. Não escrever me faz irritadiça e impaciente, me faz chorosa, cabisbaixa, e, principalmente, apática.

Quanto menos eu escrevo, menos eu vivo.

Até que tudo isso vira tanto que transborda. Transborda em palavras desconexas numa tela em branco, pra leitores desconhecidos, transborda pra quem possivelmente não se importa, porque eu não quero que se importem. Eu odeio que se importem (embora eu tão claramente precise).

Talvez meu pecado seja precisar sem querer, seja tentar lutar contra algo que é intrínseco a quem eu sou.

Mas meu corpo impõe suas próprias regras. E eu escrevo.

1.

  • Toda vez que posto no stories do Instagram eu sinto profundamente a falta do meu falecido Snapchat 3 hours ago
  • RT @annaliviaplu: o cara vem me assaltar aqui na hamerica eh capaz de eu sair da interaçao com o celular dele 9 hours ago

3.

4.

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