Dez anos depois, com amor

Eu, em uma das muitas comemorações de aniversário

Então eu fiz 24 anos.

Eu amo aniversário, eu sempre amei aniversários. Tem quem não goste, tenha vergonha, odeie envelhecer, não goste de ser o centro das atenções: eu amo. Aniversário é aquele dia do ano todinho nosso, especialmente nosso, em que a gente espera que todo mundo se lembre com carinho da gente e nos deseje todas as coisas boas da vida. Eu gosto de comemorar se possível a semana inteira, várias vezes, com todo mundo que eu conheço. Amo ganhar presentes – não pelo valor monetário do objeto, mas pelo valor sentimental que tem alguém desprender tempo e criatividade pensando em algo só pra você –, amo fazer jantares, reunir os amigos, me sentir especial. E eu amo sentir que um ciclo se fechou e um novo está começando.

Eu não sei onde meu eu de 14 anos esperava que eu estivesse aos 24. Mas sei que 2004 foi um dos anos mais difíceis da minha vida. Em 2004 meus pais se separaram, briguei com todas as minhas amigas, passei por situações horríveis e terminei o ano fazendo terapia porque eu achava que tinha depressão (não tinha, era só adolescência mesmo). Dez anos depois, 2014 também foi um ano difícil. Mas é bom olhar pra trás e saber que eu sobrevivi, eu passei por tudo isso, eu saí inteira e eu saí melhor.

Com 14 anos, meu sonho ainda era ser escritora um dia, e eu não tinha grandes aspirações pro futuro. Com 14 anos, meu maior sonho era um dia ter amigos com quem eu de fato me identificasse. Com 14 anos, eu queria amor, acima de tudo. Eu não sei onde meu eu adolescente esperava que eu estivesse aos 24, mas certamente ela sonhava que eu tivesse conseguido pelo menos isso: ser amada.

Enquanto comemorava meu aniversário, em algum momento eu parei, olhei as pessoas ao meu redor, aquelas pessoas que se deslocaram por São Paulo pra me ver, me abraçar, numa terça ou numa quarta à noite, algumas que ficaram minhas amigas há meses, outras que já o são há anos, e pensei: é isso. Isso é amor. É assim.

Eu não tenho vergonha nenhuma de admitir que entre meus livros preferidos figuram – e sempre figurarão, provavelmente – Fronteiras do Universo e Harry Potter. Essas duas séries foram meu refúgio nessa época da vida em que nada parece que vai dar certo, e eu as guardo com carinho imenso no coração. Principalmente porque ambas tratam desse tema que me é tão caro: a amizade. Eu sempre admirei a lealdade da Lyra, a capacidade dela de encantar as pessoas, como ela era capaz de fazer qualquer coisa por um amigo. Tem romance, sim, mas a trama toda começa porque ela se dispõe a abandonar sua vida segura para salvar um amigo sequestrado. Em Harry Potter, também, o amor romântico nunca foi tema central da narrativa, mas o amor como essa coisa que nos torna humanos, que nos une, que torna o mundo um lugar possível pra se viver. Ele trata de família, amizade e lealdade, as coisas mais importantes pra mim nessa vida.

Em algum momento da vida eu encontrei meu lugar e eu encontrei pessoas que quase dez anos depois não me abandonaram. Eu encontrei pessoas com quem eu nunca briguei em cinco anos de amizade, pessoas que topam qualquer projeto, pessoas que vão virar noites por você e com você, vão rodar a cidade de carro por você, vão te mandar presentes mesmo morando em outra cidade, vão atender qualquer ligação sua, vão te abraçar quando você quiser chorar e vão dizer que vai ficar tudo bem.

Eu não sei onde meu eu de 14 anos esperava que eu estivesse aos 24, mas eu tenho certeza de que ela ficaria orgulhosa. Eu queria poder voltar e dizer pra ela que vai ficar tudo bem, que não vale a pena manter por perto o que te faz mal, que ela é muito melhor do que aquilo. Que 2005 vai ser um ano incrível, em que ela finalmente vai começar a não se sentir tão deslocada e vai começar a ter orgulho de quem ela é. Que em 2005 ela vai conhecer as pessoas que vão ficar. Mas, principalmente, que tudo por que ela tá passando vai ser importante pra ela chegar até aqui. Com sonhos, projetos, ambições e muito, muito amor.

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