Pro mundo todo ouvir

Eu gosto de declarações de amor. Gosto mesmo. Gosto de ler rabiscado no assento de um ônibus, pichado em um banco da prainha, desenhado em um muro, todos aqueles eu te amo perdidos que ficaram marcados, ainda que um dia aquele amor tenha acabado. Mas o que eu gosto de verdade é de ler declarações em sites como o Orkut, Facebook, até o Twitter – 140 caracteres dedicados a alguém especial. Ver aquele depoimento que a pessoa escreveu há anos e que se renova, ou que se perdeu e deixa um gosto meio amargo de saudades misturado com nostalgia. Um scrap bobo, uma declaração no álbum de fotos. Eu rio com os exageros, com a breguice, mas procuro por tudo isso pra passar meu tempo, meio assim sem perceber – e fico decepcionada quando fuço o perfil de duas pessoas que eu sei estarem juntas, namorando, e não encontro nada. Gosto das comunidades trocadas, daquele “lembrei de você” que sempre está ali escondido, até mesmo os poemas e as fotos ridículas me divertem e completam de algum jeito meu dia. Como se tudo isso comprovasse que o amor de fato existe, ainda que tanta coisa tente provar o contrário, é só a gente ouvir com atenção. Eu amo os gritos apaixonados que preenchem meu cotidiano alheio.

Masoquismo

O masoquismo pode ser exercido de várias maneiras.

Pode ser deixar tudo para a última hora, sabendo que não vai dar tempo de fazer tudo de modo saudável e que você provavelmente vai perder sua noite completando suas tarefas. Pode ser não cuidar direito de um machucado e ele doer uma semana a mais do que o normal. Pode ser brincar com ideias perigosas. Pode ser remexer no que deveria ser esquecido. Pode ser ir atrás do que não se deve e se culpar pelo inevitável.

De alguma forma, eu quase me sinto orgulhosa por nenhuma delas ser sexual. Quase.

Tetetê. Quê?

TetetêAntes que alguém me acuse de fogo no rabo só porque mudei de domínio de novo, deixa eu dizer que agora pretendo ficar. Quando tava reformulando o blog lá nos bloggers, percebi que não tinha mais tanta paciência pra editar 982733 páginas diferentes, arrumar layout bonitinho et cetera. Então pronto – agora é wordpress mesmo, muito mais fácil e organizado. Qualquer dia dá fogo mesmo e eu acabo comprando um domínio pra poder zoar à vontade, mas até lá…

Caí na tentação do Twitter – pegou a aliteração do te, reproduzindo o som dos meus dedinhos digitando sem parar? Como diria o Maia, “Mãe, sou jornalista e tô no Twitter”. Eu, que vinha tendo vontade quase nenhuma de escrever pra alheios, comecei a ter vontade de postar uma frase nova a cada minuto naquele negócio. Qual é? Foi até meio deprimente – de cinco em cinco minutos voltar lá pro passarinho azul imbecil site pra atualizar alguma frase solta.

O que atrai no Twitter é justamente esse poder de dizer coisas completamente aleatórias, aquelas frases que te vêm à cabeça no meio do nada e que dão uma vontade de escrever, anotar, dizer pra alguém. Quando você quer informar seus amigos de alguma coisa rápida, quando alguma coisa acaba de sair do forno, quando aquele filme é tão legal que você precisa falar qualquer coisa sobre ele.

Pra isso existem blogs.
Os blogs tão aí há muito mais tempo,e você pode publicar tudo isso daí em um deles. Mas a idéia toda de um blog é o desenvolver dos textos, não colocar uma idéia em 140 caracteres: pra isso inventaram o microblog. Toda concepção de “diário virtual” envolve uma estruturação de pensamentos mais elaborada, um esforço maior – e, admita-se ou não, sempre se espera que alguém leia e comente. No Twitter você… atualiza. Rápido. Pequeno. E ninguém vai ler tudo, e não importa. Porque logo vai ter outro, e você só precisava colocar aquilo pra fora.

Mãe, sou jornalista, preciso me expressar a cada cinco segundos, pra me comunicar eu tenho um blog e, pra não surtar, agora um Twitter.

1.

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

3.

4.

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